Mantenha-se a par das últimas notícias e eventos do Ecossistema de Inovação Sustentável
Notícias
A Natureza como medida: Ecossistemas e o futuro dos negócios sustentáveis
Um ecossistema é uma comunidade biológica de organismos em interação e o seu ambiente físico (por exemplo, o ecossistema marinho). O termo também pode referir-se a um sistema interligado, como o ecossistema empreendedor de tecnologia verde que a AlmaScience está a desenvolver.
Redes rizomáticas: fluxos naturais e humanos
O Ar é invisível, mas essencial, como uma linguagem partilhada ou uma corrente criativa.
A Água sustenta a vida, tal como o conhecimento alimenta a inovação e a adaptação.
O Solo providencia a base sólida para que os espaços públicos fomentem a interação humana e as culturas.
Os Ventos agitam as coisas, tal como as mudanças sociais e os movimentos culturais.
O Calor é o sol reconfortante ou a “onda de calor” que se faz sentir em reuniões, ajuntamentos informais ou surtos motivacionais.
Os ecossistemas são simbióticos; prosperam com o benefício mútuo, tal como as redes e os ecossistemas criativos.
Na natureza, a teia de aranha, a teia radial ou a rede neural inspirada pelo cérebro humano dependem de estruturas onde nenhuma parte domina, mas todas as partes estão conectadas e são interdependentes. Se um nó se quebra, toda a estrutura sente a tensão.
Na natureza, como na sociedade, a forma de um ecossistema frequentemente reflete o seu modo de interação. Das árvores ramificadas dos sistemas hierárquicos às raízes entrelaçadas das redes rizomáticas, as formas que observamos ecoam as maneiras como organizamos o conhecimento, a colaboração e a convocação para a ação. "Influenciado pela botânica, o rizoma é um sistema reticular não hierárquico, um coletivo, ou um conjunto de multiplicidades interligadas em constante mudança, sem sistema de controlo central" (Tanja Tillmann e Alfredo Salomão Filho, "Reflecting on Partnerships of Sustainability Learning: Enacting a Lewin--Deleuze--Guattari Rhizome").
O designer e teórico português Manuel Lima mapeou esta evolução, mostrando na sua TED Talk como passámos da estrutura rígida e hierárquica da árvore - um símbolo duradouro de autoridade centralizada - para os padrões fluidos e descentralizados da teia e do rizoma, conforme definido por Deleuze e Guattari como metáfora para a cultura e o conhecimento.
A aprendizagem rizomática ou as redes rizomáticas existem em ecossistemas tecnológicos, agrícolas ou artísticos.
O conhecimento já não flui de cima para baixo, mas espalha-se para fora – como o micélio sob os pés, como as veias de uma folha. Estes ecossistemas entrelaçados de pessoas, ideias e dados descrevem uma inteligência coletiva moldada não pela nostalgia de formas ou poderes antigos, mas pelo impulso em direção ao crescimento partilhado e sustentável. Já não construímos pirâmides, cultivamos teias e economias circulares.
Isto é verdade nos sistemas de conhecimento, bem como cada vez mais na arquitetura.
Da cidade de Almada, na margem sul do Tejo – tal como Brooklyn diante de Manhattan –, pode-se contemplar o MAAT, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa: uma forma reptiliana que se estende em notável simbiose com os elementos naturais circundantes. A cobertura do edifício evoca escamas de peixe, mas na realidade são quase 15.000 azulejos tridimensionais vidrados e fissurados, que refletem e transcendem a mutável luz de Lisboa, como se a estrutura fosse um organismo vivo em perpétua mutação.
Quando questionada sobre sustentabilidade na arquitetura, a arquiteta do MAAT, Amanda Levete, disse em 2022:
É completamente central – construímos porque acreditamos num futuro, e não teremos um futuro a menos que coloquemos a sustentabilidade no centro de tudo o que fazemos. Onde quer que construamos, qualquer que seja o contexto, temos a responsabilidade de abordar a sustentabilidade, a biodiversidade e o bem-estar, de criar lugares onde possamos viver melhor juntos e viver melhor com a natureza.
– Amanda Levete, arquiteta britânica (entrevista na The Wick Culture)
Um ecossistema em criação
Em Almada, em março passado, toda a AlmaScience reuniu-se no espaço incubador do Quarteirão das Artes. Mónica Simões, investigadora doutorada em tecnologia do papel na AlmaScience, ecoou as palavras de Levete no palco, apresentando AERA:
Há uma necessidade urgente de reduzir o consumo de espumas de isolamento térmico à base de combustíveis fósseis, como o poliuretano ou o poliestireno expandido, porque os seus impactos ambientais são colossais e prejudiciais desde a produção até ao fim da vida útil. Não são biodegradáveis, raramente são reciclados, e participam da geração de microplásticos.
– Mónica Simões, investigadora da AlmaScience
De facto, este par pernicioso – poliuretano (PU) e poliestireno expandido (EPS) – apresenta desafios ambientais tanto para as florestas como para os oceanos. O PU, derivado de combustíveis fósseis, contribui para a poluição ambiental durante a produção e persiste no ambiente, enquanto o EPS, leve e isolante, é uma forma comum de lixo marinho. Decompõe-se em microplásticos que prejudicam a vida selvagem.
Investigadores, líderes e comunicadores da AlmaScience reuniram-se para assistir a apresentações de projetos, cada uma da responsabilidade de um investigador no palco, apoiado por um conjunto de slides. Embora este fosse, por enquanto, um ensaio íntimo a portas fechadas realizado diante de estudantes de MBA e potenciais parceiros comerciais, a intenção é que estes encontros se tornem uma realidade recorrente.
Como parte da sua estratégia para 2025, a AlmaScience pretende organizar eventos semelhantes para expandir o seu alcance, construir conexões mais profundas e fomentar interesse de terceiros, procurando abertamente financiamento e apoio de parceiros industriais e financeiros. Nesta fase, a dezena e meia de projetos apresentados encontram-se em diferentes fases de desenvolvimento.
AERA, o conceito introduzido por Mónica Simões, surgiu da AlmaScience no contexto do Plano de Recuperação e Resiliência Nacional Português "From Fossil to Forest", apoiado pela UE, que visa desenvolver embalagens e produtos à base de celulose para substituir os plásticos fósseis por alternativas sustentáveis.
AERA é uma espuma rígida 100% biodegradável, à base de celulose, com propriedades de isolamento térmico. Oferece um revestimento leve e biodegradável para uma variedade de bens preciosos – sejam alimentos frescos, equipamentos eletrónicos, medicamentos, produtos de beleza de alta qualidade, bebidas alcoólicas de marcas conceituadas, queijos envelhecidos, e muito mais.
Nas mãos de Mónica, a amostra de AERA é vista a envolver suavemente uma garrafa de cerveja embrulhada em GELA. Por que razão beber cerveja - feita de cevada, água, lúpulo e levedura - ser prejudicial para o planeta? Por que não isentar de qualquer forma de ameaça ambiental esta bebida divertida e refrescante ao longo de toda a sua cadeia de valor? E por que deveria um invólucro de arrefecimento rápido como o GELA ou uma espuma de isolamento térmico como o AERA durar para sempre? Especialmente quando sabemos que a maioria das embalagens acaba em (ou fora de) caixotes de reciclagem transbordantes, tão massivo é o nosso consumo de embalagens.
Estes dois produtos distintos da AlmaScience – o GELA, anteriormente apresentado por Fausto Queda, e a AERA – exemplificam a forma como os investigadores do CoLab português abordam as suas inovações intencionalmente:
- A solução pode ser suportada por materiais encontrados na natureza?
- Qual deve ser a vida útil do produto e qual deve ser a sua estratégia de fim de vida?
- Que condições são necessárias para que o produto cumpra a sua função, mantendo-se biodegradável e, também, financeiramente sustentável?
Estas questões nunca deixam a bancada do laboratório – elas precedem os testes. O princípio é verdadeiro para todos os outros projetos apresentados, alguns dos quais já descrevemos com algum detalhe em artigos anteriores: PetriTag®, BRIGHT, PaperWeight AI, GELA, e mais.
As boas notícias: a AERA está na fase final de investigação e pronta para ser testada num ambiente comercial, enquanto o GELA já está a navegar em mar aberto, com partes interessadas envolvidas e sem concorrência no horizonte.

A tarde tem uma energia positiva, impulsionada pela coerência e conexão entre os conceitos apresentados. O encontro parece uma versão mais suave e silenciosa do que os eventos que a Techstars costumava organizar. Na sua essência, esta série de apresentações visa afinar os pitches das várias tecnologias com um nível de controlo de qualidade semelhante ao da Techstars. Cada investigador sobe sozinho ao palco para expor um conceito, descrevendo sucintamente o fluxo de trabalho científico e financeiro, o seu estágio de desenvolvimento, potenciais desafios e possíveis aplicações.
Mónica Simões, que subiu ao palco duas vezes, recebeu o seu doutoramento em Engenharia Química e de Processos em 2021 na Graz University of Technology como parte do projeto FibretNet, um projeto inovador Marie Skłodowska-Curie Actions ITN na área das fibras de base biológica. A sua experiência como engenheira de I&D inclui sistemas de administração de medicamentos sensíveis a estímulos, têxteis inteligentes, técnicas de medição de contacto entre fibras à nanoescala e desempenho e tecnologia do papel.
AERA é uma colaboração entre quatro investigadores da AlmaScience: Tomás Freire, Filipe Matos, Fausto Queda e Mónica Simões. A invenção foi desenvolvida em paralelo com outro desenvolvimento à base de celulose, liderado por Fausto Queda: GELA, um projeto envolvendo onze investigadores da AlmaScience.
A ciência depende de ecossistemas colaborativos. Da mesma forma, campos como o design, a arquitetura e o urbanismo prosperam em redes interligadas e de cooperação multidisciplinar.
A resolução de problemas complexos, interdependentes e socialmente responsivos é mais ágil e robusta através da inteligência coletiva. Na ciência, laboratórios colaborativos, revistas interdisciplinares e consórcios de partilha de dados permitem que o conhecimento surja a partir de múltiplos pontos de entrada e evolua sem olhar a fronteiras.
Este encontro da AlmaScience terminou com uma dúzia de projetos apresentados, cada um concebido no seio de um rizoma de investigadores, cada um procurando expandir o seu alcance e atrair apoio.
Escapando ao legado da extração
As tecnologias de hoje afastaram-se progressivamente do legado da Revolução Industrial do século XVIII que aprisionou gerações num ciclo de extração excessiva de recursos naturais, produção acelerada e mão-de-obra mal remunerada.
Isto foi justificado por uma crença generalizada no Darwinismo Social que o atual "tecno-lordismo" e a sua visão distópica da Terra como um "planeta condenado", inspirada por mitos espaciais de meados do século passado e narrativas sombrias oriundas de videojogos, ecoa e amplifica.
Enquanto alguns permanecem presos numa mentalidade retrógrada de isolacionismo, ainda que maquilhada com de slogans nostálgicos, o século XXI, com os seus avanços tecnológicos exponenciais, vastas bases de dados de conhecimento, e cientistas e inovadores em rede, continua profundamente promissor. Mesmo quando enfrentamos convulsões temporárias e hiatos, frequentemente impostos por uma geração envelhecida, a capacidade de renovação e transformação persiste.
Entretanto, os sistemas reais da natureza estão a ser re-interpretados através da ciência e investigação organizadas em torno de redes colaborativas e flexíveis que fomentam e aceleram soluções sustentáveis para as alterações climáticas e o colapso ecológico.
Quando a conceção de um dispositivo eletrónico começa com celulose como um substrato sustentável para sistemas eletrónicos com um tempo de vida adequado (contrariamente aos "químicos eternos" feitos pelo homem que envenenam o ambiente), então a natureza torna-se tanto o ponto de partida como o ponto de chegada da inovação.
Os humanos constituem aproximadamente 0,01 por cento de toda a vida na Terra. No entanto, a grande maioria de tudo o que fazemos é feito a pensar neles. Se queremos investir na sustentabilidade e reduzir os impactos negativos no ambiente, precisamos de parar de nos centrar no humano. Precisamos de pôr os nossos egos de lado. Devemos entender o problema do ponto de vista da natureza – investigar as suas necessidades e requisitos únicos, identificar as suas fragilidades e abraçar as imensas oportunidades que oferece para cooperação.
– Manuel Lima, "A Destruição do Ego"
O Ecossistema de Inovação Sustentável
A AlmaScience está pronta a demonstrar que as tecnologias verdes, como a funcionalização de materiais funcionais e eletrónica impressa, não são apenas ambientalmente urgentes, mas também uma estratégia de negócios sustentável para Portugal e para a Europa.
O CoLab está determinado a expandir o seu alcance e mostrar as suas soluções de modo a construir uma relação mais profunda com empresas, instituições e investidores com ideias semelhantes – todos aqueles que acreditam que a inovação pode avançar em alinhamento com a natureza (e em conformidade com recentes regulamentos da UE, por exemplo).
Assim, a AlmaScience está a construir o Ecossistema de Inovação Sustentável, um ecossistema robusto para o desenvolvimento de tecnologias verdes, modelos de economia circular, para a reforma de cadeias de abastecimento, e para alavancar a transformação digital em Portugal e no estrangeiro.
Este ecossistema é já composto por nove das mais importantes e inovadoras empresas e instituições académicas portuguesas, que testemunharam em primeira mão como o modelo colaborativo da AlmaScience acelera o crescimento sustentável e as mantém
na vanguarda das transformações na sua área de negócio.
A AlmaScience convida agora organizações visionárias a fazerem parte deste ecossistema dinâmico e de vanguarda dedicado à tecnologia sustentável, investigação e inovação. As empresas parceiras terão acesso a uma vibrante comunidade de prática, oportunidades de I&D de grande impacto e parcerias estratégicas que aceleram a sua
jornada de inovação.
A sua empresa está pronta para inovar? Junte-se ao Ecossistema de Inovação Sustentável da AlmaScience e garanta a sua posição na vanguarda da sua indústria. Comece hoje mesmo a sua jornada de inovação!
Este trabalho é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelos Fundos Europeus Next Generation EU através da Agenda Verde para Inovação Empresarial "FF2F - From Fossil to Forest" (Projeto nº 8), um consórcio liderado pela The Navigator Company.

