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title: "A Natureza como medida: ecossistemas — AlmaScience"
description: "O que os ecossistemas naturais ensinam sobre negócios sustentáveis e sobre o ecossistema de tecnologia verde que a AlmaScience constrói."
url: "https://almascience.pt/pt/noticias/artigo-de-opiniao/a-natureza-como-medida-ecossistemas-e-o-futuro-dos-negocios-sustentaveis"
date: "2026-10-16T06:11:51+00:00"
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# Notícias

  ![A Natureza como medida: Ecossistemas e o futuro dos negócios sustentáveis]() ##  A Natureza como medida: Ecossistemas e o futuro dos negócios sustentáveis

  Claudine Boeglin, Rui Braz   [Artigo de Opinião](https://almascience.pt/pt/noticias/artigo-de-opiniao)    22 abril 2025  12 minutes read

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Um ecossistema é uma comunidade biológica de organismos em interação e o seu ambiente físico (por exemplo, o ecossistema marinho). O termo também pode referir-se a um sistema interligado, como o ecossistema empreendedor de tecnologia verde que a AlmaScience está a desenvolver.

### Redes rizomáticas: fluxos naturais e humanos

O **Ar** é invisível, mas essencial, como uma linguagem partilhada ou uma corrente criativa.
A **Água** sustenta a vida, tal como o conhecimento alimenta a inovação e a adaptação.
O **Solo** providencia a base sólida para que os espaços públicos fomentem a interação humana e as culturas.
Os **Ventos** agitam as coisas, tal como as mudanças sociais e os movimentos culturais.
O **Calor** é o sol reconfortante ou a “onda de calor” que se faz sentir em reuniões, ajuntamentos informais ou surtos motivacionais.

Os ecossistemas são simbióticos; prosperam com o benefício mútuo, tal como as redes e os ecossistemas criativos.

Na natureza, **a teia de aranha, a teia radial ou a rede neural** inspirada pelo cérebro humano dependem de estruturas onde nenhuma parte domina, mas todas as partes estão conectadas e são interdependentes. Se um nó se quebra, toda a estrutura sente a tensão.

Na natureza, como na sociedade, a forma de um ecossistema frequentemente reflete o seu modo de interação. Das árvores ramificadas dos sistemas hierárquicos às raízes entrelaçadas das redes rizomáticas, as formas que observamos ecoam as maneiras como organizamos o conhecimento, a colaboração e a convocação para a ação. "Influenciado pela botânica, o rizoma é um sistema reticular não hierárquico, um coletivo, ou um conjunto de multiplicidades interligadas em constante mudança, sem sistema de controlo central" (Tanja Tillmann e Alfredo Salomão Filho, "[Reflecting on Partnerships of Sustainability Learning: Enacting a Lewin--Deleuze--Guattari Rhizome](https://www.mdpi.com/2071-1050/12/22/9776)").

O designer e teórico português Manuel Lima mapeou esta evolução, mostrando na sua TED Talk como passámos da estrutura rígida e hierárquica da árvore - um símbolo duradouro de autoridade centralizada - para os padrões fluidos e descentralizados da teia e do rizoma, conforme definido por Deleuze e Guattari como metáfora para a cultura e o conhecimento.

A aprendizagem rizomática ou as redes rizomáticas existem em ecossistemas tecnológicos, agrícolas ou artísticos.

O conhecimento já não flui de cima para baixo, mas espalha-se para fora – como o micélio sob os pés, como as veias de uma folha. Estes ecossistemas entrelaçados de pessoas, ideias e dados descrevem uma inteligência coletiva moldada não pela nostalgia de formas ou poderes antigos, mas pelo impulso em direção ao crescimento partilhado e sustentável. Já não construímos pirâmides, cultivamos teias e economias circulares.
Isto é verdade nos sistemas de conhecimento, bem como cada vez mais na arquitetura.

Da cidade de Almada, na margem sul do Tejo – tal como Brooklyn diante de Manhattan –, pode-se contemplar o MAAT, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa: uma forma reptiliana que se estende em notável simbiose com os elementos naturais circundantes. A cobertura do edifício evoca escamas de peixe, mas na realidade são quase 15.000 azulejos tridimensionais vidrados e fissurados, que refletem e transcendem a mutável luz de Lisboa, como se a estrutura fosse um organismo vivo em perpétua mutação.

 ![]() MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Lisboa Quando questionada sobre sustentabilidade na arquitetura, a arquiteta do MAAT, Amanda Levete, disse em 2022:

> *É completamente central – construímos porque acreditamos num futuro, e não teremos um futuro a menos que coloquemos a sustentabilidade no centro de tudo o que fazemos. Onde quer que construamos, qualquer que seja o contexto, temos a responsabilidade de abordar a sustentabilidade, a biodiversidade e o bem-estar, de criar lugares onde possamos viver melhor juntos e viver melhor com a natureza.*
> – Amanda Levete, arquiteta britânica (entrevista na [The Wick Culture](https://thewickculture.com/interview-award-winning-architect-amanda-levete/))

### Um ecossistema em criação

Em Almada, em março passado, toda a AlmaScience reuniu-se no espaço incubador do [Quarteirão das Artes](https://www.novalmadavelha.pt/quarteirao-das-artes/). Mónica Simões, investigadora doutorada em tecnologia do papel na AlmaScience, ecoou as palavras de Levete no palco, apresentando [AERA](https://almascience.pt/pt/tecnologia-sustentavel/demos/aera):

> *Há uma necessidade urgente de reduzir o consumo de espumas de isolamento térmico à base de combustíveis fósseis, como o poliuretano ou o poliestireno expandido, porque os seus impactos ambientais são colossais e prejudiciais desde a produção até ao fim da vida útil. Não são biodegradáveis, raramente são reciclados, e participam da geração de microplásticos.*
> – Mónica Simões, investigadora da AlmaScience

De facto, este par pernicioso – poliuretano (PU) e poliestireno expandido (EPS) – apresenta desafios ambientais tanto para as florestas como para os oceanos. O PU, derivado de combustíveis fósseis, contribui para a poluição ambiental durante a produção e persiste no ambiente, enquanto o EPS, leve e isolante, é uma forma comum de lixo marinho. Decompõe-se em microplásticos que prejudicam a vida selvagem.

 ![]() Exemplo de vários produtos de espuma de poliuretano Investigadores, líderes e comunicadores da AlmaScience reuniram-se para assistir a apresentações de projetos, cada uma da responsabilidade de um investigador no palco, apoiado por um conjunto de slides. Embora este fosse, por enquanto, um ensaio íntimo a portas fechadas realizado diante de estudantes de MBA e potenciais parceiros comerciais, a intenção é que estes encontros se tornem uma realidade recorrente.

Como parte da sua estratégia para 2025, a AlmaScience pretende organizar eventos semelhantes para expandir o seu alcance, construir conexões mais profundas e fomentar interesse de terceiros, procurando abertamente financiamento e apoio de parceiros industriais e financeiros. Nesta fase, a dezena e meia de projetos apresentados encontram-se em diferentes fases de desenvolvimento.

AERA, o conceito introduzido por Mónica Simões, surgiu da AlmaScience no contexto do Plano de Recuperação e Resiliência Nacional Português "From Fossil to Forest", apoiado pela UE, que visa desenvolver embalagens e produtos à base de celulose para substituir os plásticos fósseis por alternativas sustentáveis.

AERA é uma espuma rígida 100% biodegradável, à base de celulose, com propriedades de isolamento térmico. Oferece um revestimento leve e biodegradável para uma variedade de bens preciosos – sejam alimentos frescos, equipamentos eletrónicos, medicamentos, produtos de beleza de alta qualidade, bebidas alcoólicas de marcas conceituadas, queijos envelhecidos, e muito mais.

 ![]() Mónica Simões, investigadora da AlmaScience, segurando uma amostra de AERA Nas mãos de Mónica, a amostra de AERA é vista a envolver suavemente uma garrafa de cerveja embrulhada em [GELA](https://almascience.pt/pt/tecnologia-sustentavel/demos/gela). Por que razão beber cerveja - feita de cevada, água, lúpulo e levedura - ser prejudicial para o planeta? Por que não isentar de qualquer forma de ameaça ambiental esta bebida divertida e refrescante ao longo de toda a sua cadeia de valor? E por que deveria um invólucro de arrefecimento rápido como o GELA ou uma espuma de isolamento térmico como o AERA durar para sempre? Especialmente quando sabemos que a maioria das embalagens acaba em (ou fora de) caixotes de reciclagem transbordantes, tão massivo é o nosso consumo de embalagens.

Estes dois produtos distintos da AlmaScience – o GELA, anteriormente apresentado por Fausto Queda, e a AERA – exemplificam a forma como os investigadores do CoLab português abordam as suas inovações intencionalmente:

1. A solução pode ser suportada por materiais encontrados na natureza?
2. Qual deve ser a vida útil do produto e qual deve ser a sua estratégia de fim de vida?
3. Que condições são necessárias para que o produto cumpra a sua função, mantendo-se biodegradável e, também, financeiramente sustentável?

Estas questões nunca deixam a bancada do laboratório – elas *precedem* os testes. O princípio é verdadeiro para todos os outros projetos apresentados, alguns dos quais já descrevemos com algum detalhe em artigos anteriores: [PetriTag®](https://almascience.pt/news/latest/petritag-the-sustainable-paper-based-portable-bacterial-detector-for-the-fish-transport-system), [BRIGHT](https://almascience.pt/news/interview/luis-pereira-is-building-a-sustainable-brighter-future-at-almascience), [PaperWeight AI](https://almascience.pt/news/press-release/almascience-presents-paperweight-ai-to-revolutionize-technology-in-the-retail-sector), [GELA](https://almascience.pt/news/latest/hello-sunshine-fancy-a-cool-drink), e mais.

As boas notícias: a AERA está na fase final de investigação e pronta para ser testada num ambiente comercial, enquanto o GELA já está a navegar em mar aberto, com partes interessadas envolvidas e sem concorrência no horizonte.

![]()

A tarde tem uma energia positiva, impulsionada pela coerência e conexão entre os conceitos apresentados. O encontro parece uma versão mais suave e silenciosa do que os eventos que a [Techstars](https://www.techstars.com/) costumava organizar. Na sua essência, esta série de apresentações visa afinar os *pitches* das várias tecnologias com um nível de controlo de qualidade semelhante ao da Techstars. Cada investigador sobe sozinho ao palco para expor um conceito, descrevendo sucintamente o fluxo de trabalho científico e financeiro, o seu estágio de desenvolvimento, potenciais desafios e possíveis aplicações.

Mónica Simões, que subiu ao palco duas vezes, recebeu o seu doutoramento em Engenharia Química e de Processos em 2021 na Graz University of Technology como parte do projeto [FibretNet](https://cordis.europa.eu/project/id/764713), um projeto inovador Marie Skłodowska-Curie Actions ITN na área das fibras de base biológica. A sua experiência como engenheira de I&D inclui sistemas de administração de medicamentos sensíveis a estímulos, têxteis inteligentes, técnicas de medição de contacto entre fibras à nanoescala e desempenho e tecnologia do papel.

AERA é uma colaboração entre quatro investigadores da AlmaScience: Tomás Freire, Filipe Matos, Fausto Queda e Mónica Simões. A invenção foi desenvolvida em paralelo com outro desenvolvimento à base de celulose, liderado por Fausto Queda: GELA, um projeto envolvendo onze investigadores da AlmaScience.

A ciência depende de ecossistemas colaborativos. Da mesma forma, campos como o design, a arquitetura e o urbanismo prosperam em redes interligadas e de cooperação multidisciplinar.

A resolução de problemas complexos, interdependentes e socialmente responsivos é mais ágil e robusta através da inteligência coletiva. Na ciência, laboratórios colaborativos, revistas interdisciplinares e consórcios de partilha de dados permitem que o conhecimento surja a partir de múltiplos pontos de entrada e evolua sem olhar a fronteiras.

Este encontro da AlmaScience terminou com uma dúzia de projetos apresentados, cada um concebido no seio de um rizoma de investigadores, cada um procurando expandir o seu alcance e atrair apoio.

### Escapando ao legado da extração

As tecnologias de hoje afastaram-se progressivamente do legado da Revolução Industrial do século XVIII que aprisionou gerações num ciclo de extração excessiva de recursos naturais, produção acelerada e mão-de-obra mal remunerada.

Isto foi justificado por uma crença generalizada no Darwinismo Social que o atual "tecno-lordismo" e a sua visão distópica da Terra como um "planeta condenado", inspirada por mitos espaciais de meados do século passado e narrativas sombrias oriundas de videojogos, ecoa e amplifica.

Enquanto alguns permanecem presos numa mentalidade retrógrada de isolacionismo, ainda que maquilhada com de slogans nostálgicos, o século XXI, com os seus avanços tecnológicos exponenciais, vastas bases de dados de conhecimento, e cientistas e inovadores em rede, continua profundamente promissor. Mesmo quando enfrentamos convulsões temporárias e hiatos, frequentemente impostos por uma geração envelhecida, a capacidade de renovação e transformação persiste.

Entretanto, os sistemas reais da natureza estão a ser re-interpretados através da ciência e investigação organizadas em torno de redes colaborativas e flexíveis que fomentam e aceleram soluções sustentáveis para as alterações climáticas e o colapso ecológico.

Quando a conceção de um dispositivo eletrónico começa com celulose como um substrato sustentável para sistemas eletrónicos com um [tempo de vida adequado](https://almascience.pt/pt/tecnologia-sustentavel) (contrariamente aos "químicos eternos" feitos pelo homem que envenenam o ambiente), então a natureza torna-se tanto o ponto de partida como o ponto de chegada da inovação.

> *Os humanos constituem aproximadamente 0,01 por cento de toda a vida na Terra. No entanto, a grande maioria de tudo o que fazemos é feito a pensar neles. Se queremos investir na sustentabilidade e reduzir os impactos negativos no ambiente, precisamos de parar de nos centrar no humano. Precisamos de pôr os nossos egos de lado. Devemos entender o problema do ponto de vista da natureza – investigar as suas necessidades e requisitos únicos, identificar as suas fragilidades e abraçar as imensas oportunidades que oferece para cooperação.*
> – Manuel Lima, "A Destruição do Ego"

### O Ecossistema de Inovação Sustentável

A AlmaScience está pronta a demonstrar que as tecnologias verdes, como a funcionalização de materiais funcionais e eletrónica impressa, não são apenas ambientalmente urgentes, mas também uma estratégia de negócios sustentável para Portugal e para a Europa.

O CoLab está determinado a expandir o seu alcance e mostrar as suas soluções de modo a construir uma relação mais profunda com empresas, instituições e investidores com ideias semelhantes – todos aqueles que acreditam que a inovação pode avançar em alinhamento com a natureza (e em conformidade com recentes [regulamentos da UE](https://almascience.pt/pt/noticias/artigo-de-opiniao/regulamento-europeu-de-embalagens-e-residuos-de-embalagens-ppwr), por exemplo).

Assim, a AlmaScience está a construir o [Ecossistema de Inovação Sustentável](https://almascience.pt/pt/ecossistema-de-inovacao-sustentavel), um ecossistema robusto para o desenvolvimento de tecnologias verdes, modelos de economia circular, para a reforma de cadeias de abastecimento, e para alavancar a transformação digital em Portugal e no estrangeiro.

Este ecossistema é já composto por nove das mais importantes e inovadoras empresas e instituições académicas portuguesas, que testemunharam em primeira mão como o modelo colaborativo da AlmaScience acelera o crescimento sustentável e as mantém
na vanguarda das transformações na sua área de negócio.

A AlmaScience convida agora organizações visionárias a fazerem parte deste ecossistema dinâmico e de vanguarda dedicado à tecnologia sustentável, investigação e inovação. As empresas parceiras terão acesso a uma vibrante comunidade de prática, oportunidades de I&D de grande impacto e parcerias estratégicas que aceleram a sua
jornada de inovação.

A sua empresa está pronta para inovar? Junte-se ao Ecossistema de Inovação Sustentável da AlmaScience e garanta a sua posição na vanguarda da sua indústria. [Comece hoje mesmo a sua jornada de inovação!](https://almascience.pt/pt/ecossistema-de-inovacao-sustentavel)

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*Este trabalho é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelos Fundos Europeus Next Generation EU através da Agenda Verde para Inovação Empresarial "FF2F - From Fossil to Forest" (Projeto nº 8), um consórcio liderado pela The Navigator Company.*

- [ Inovação ](https://almascience.pt/pt/component/tags/tag/inovacao)
- [ Sustentabilidade ](https://almascience.pt/pt/component/tags/tag/sustentabilidade)
- [ Ecossistema de Inovação Sustentável ](https://almascience.pt/pt/component/tags/tag/ecossistema-de-inovacao-sustentavel)

###  Mais leituras...

 [  ![Fresca em metade do tempo: o piloto GELA com o Super Bock Group]()  ](https://almascience.pt/pt/noticias/caso-de-estudo/fresca-em-metade-do-tempo)####  [ Fresca em metade do tempo: o piloto GELA com o Super Bock Group ](https://almascience.pt/pt/noticias/caso-de-estudo/fresca-em-metade-do-tempo)

   22 setembro 2026

 [  ![Estudo da Porto Business School identifica AlmaScience como exemplo de CoLAB orientado para a inovação tecnológica empresarial]()  ](https://almascience.pt/pt/noticias/comunicado-de-imprensa/estudo-da-porto-business-school-identifica-almascience-como-exemplo)####  [ Estudo da Porto Business School identifica AlmaScience como exemplo de CoLAB orientado para a inovação tecnológica empresarial ](https://almascience.pt/pt/noticias/comunicado-de-imprensa/estudo-da-porto-business-school-identifica-almascience-como-exemplo)

   27 maio 2026

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