Como a Green Tech pode impactar a distribuição de alimentos frescos

Como a Green Tech pode impactar a distribuição de alimentos frescos

O MARL – Mercado Abastecedor da Região de Lisboa – é o maior mercado grossista de Portugal, onde produtores, retalhistas e importadores recolhem e expedem produtos agroalimentares frescos que alimentam cerca de três milhões de pessoas todos os dias. Frescura, rastreabilidade, segurança alimentar e desperdício de alimentos e embalagens são desafios fundamentais a enfrentar em nome da segurança e soberania alimentar. As tecnologias verdes da AlmaScience, desde RFID sem chip até sensores de frescura em papel, estão aqui para ajudar.

 

MARL: a "pista de dança" dos frutos e legumes

Visite o vasto complexo do MARL, com 101 hectares, nos arredores de Lisboa, e será imediatamente envolvido por um verdadeiro bailado de expedição agroalimentar e transações comerciais. O Mercado Abastecedor da Região de Lisboa é o maior mercado grossista do país, onde produtores, comerciantes e importadores recolhem e expedem produtos frescos, à semelhança do que acontece noutros grandes mercados europeus como Rungis, em Paris, ou o New Covent Garden Market, em Londres.

Ao longo dos seus armazéns, identificados de A01 a A10, o MARL acolhe frutas e legumes, peixe e carne, flores e outros produtos agroalimentares. Todo o recinto reúne mais de 840 operadores. Nos pavilhões de frutas e legumes, os produtos são tão frescos que ainda trazem o orvalho da manhã e os vestígios das chuvas de janeiro que cobrem Portugal.

Todos os dias úteis, o MARL transforma-se numa colmeia em plena atividade, especialmente nas horas de ponta, com transações rápidas e cordiais e um ritmo intenso. Um código de circulação invisível parece reger o que, à primeira vista, pode parecer caótico. Carrinhos deslocam-se rapidamente entre plataformas e veículos pesados ou carrinhas, navegando com uma lógica intuitiva que lhes permite acelerar, rodar, parar e estacionar com base em gestos e contacto visual entre condutores. O zumbido é eletrizante. O negócio reflete o quão exigente e cirúrgica tem de ser a gestão da frescura.

Mas por detrás deste caos orquestrado escondem-se três desafios críticos que ameaçam a eficiência e a sustentabilidade:

  1. Falhas na rastreabilidade: quando centenas de paletes circulam diariamente entre armazéns e veículos, perder o rasto de uma única remessa pode significar desperdício, atrasos ou riscos para a segurança alimentar.
  2. Incerteza quanto à frescura: sem monitorização em tempo real, produtos contaminados ou deteriorados podem entrar na cadeia de abastecimento sem serem detetados, colocando em risco a saúde pública.
  3. Impacto ambiental: os sistemas tradicionais de rastreio recorrem a materiais plásticos e eletrónica descartável, enquanto o desperdício alimentar continua a ser um problema persistente.

Como melhorar esta dança frenética e, ao mesmo tempo, responder a estes desafios fundamentais?

 

Rastreabilidade reforçada com RFID sem chip

A AlmaScience – laboratório tecnológico português especializado em soluções “verdes” para o retalho e outros setores – tem inovação concreta para oferecer ao maior mercado grossista que abastece a Grande Lisboa.

No ambiente do MARL, onde cada minuto conta e cada palete importa, as etiquetas RFID sem chip da AlmaScience permitem a identificação instantânea de produtos ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Ao contrário dos sistemas RFID convencionais, que dependem de microchips de silício, a AlmaScience utiliza alternativas à base de celulose, substituindo plásticos e eletrónica por polímeros naturais em dispositivos inteligentes e embalagens.

O impacto prático é imediato. Cada palete, caixa ou embalagem individual pode ser identificada instantaneamente à medida que se desloca do produtor para o armazém e depois para o retalhista, sem os custos e o lixo eletrónico associados às soluções tradicionais. Para os operadores do MARL, que lidam com milhares de transações diárias, isto significa rastreabilidade total desde a origem até ao destino final, a uma fração do custo e sem resíduos eletrónicos.

Esta tecnologia permite ainda acompanhar produtos sensíveis à temperatura, verificar alegações de origem e responder rapidamente a problemas de qualidade, tudo isto alinhado com os princípios da economia circular e os compromissos ambientais de Portugal.

 

 

Frescura simplificada: PetriTag®

Enquanto a rastreabilidade responde à pergunta “onde está?”, a frescura exige responder a “é seguro?”. É aqui que a PetriTag® da AlmaScience se torna essencial, em particular nas operações de pescado do MARL.

“Chegámos a um ponto em que todos estamos conscientes do que colocamos no nosso corpo”, explica Bruno Veigas, investigador da PetriTag® na AlmaScience. “As nossas escolhas alimentares impactam a saúde física e mental, a esperança de vida e a autonomia. O PetriTag® reforça essa sensação de controlo e ajuda-nos a fazer escolhas mais seguras.”

A PetriTag® é uma etiqueta para deteção bacteriana portátil, à base de papel, desenvolvida especificamente para o transporte de peixe. Permite a distribuidores, pescadores e operadores logísticos verificar rapidamente a presença de bactérias nocivas durante o transporte, sem necessidade de equipamentos laboratoriais ou técnicos especializados. Através de uma abordagem colorimétrica, o PetriTag® consegue detetar até quatro tipos diferentes de bactérias em simultâneo, oferecendo uma confirmação visual imediata da segurança do pescado.

“As implicações são amplas, graças à abordagem colorimétrica, que tem uma barreira de adoção muito baixa”, afirma Luís Pereira, CTO da AlmaScience. “Neste momento, o PetriTag® consegue detetar bactérias específicas que se desenvolvem no peixe, funcionando como uma etiqueta multi-análise capaz de identificar quatro tipos de bactérias em simultâneo.”

Sustentável por design, a PetriTag® substitui materiais de teste convencionais à base de plástico por um substrato biodegradável à base de celulose, reduzindo resíduos e impacto ambiental. O seu formato leve e de muito baixo custo minimiza também a pegada de carbono da monitorização da segurança alimentar ao longo da cadeia logística, um fator crítico num mercado onde o peixe passa da lota ao distribuidor em poucas horas.

 

 

Um imperativo europeu: inovação contra o desperdício

Os desafios enfrentados pelo MARL refletem um imperativo mais amplo à escala europeia e global. Como afirmou Stéphane Layani, Presidente da União Mundial de Mercados Grossistas: “Para prosperar, os mercados têm de abraçar avanços tecnológicos como a IA, que ajudam a otimizar operações, reduzir desperdício e reforçar a confiança nas transações.”

É precisamente esta visão que as soluções da AlmaScience tornam realidade. Mas o desafio vai além da eficiência. O desperdício alimentar e o desperdício de embalagens representam duas faces da mesma crise de sustentabilidade. Enquanto o desperdício alimentar é amplamente reconhecido como evitável, as embalagens de plástico descartável constituem um problema igualmente grave, permanecendo durante séculos em aterros e oceanos.

A AlmaScience desenvolve tecnologia verde segundo a abordagem da Vida Útil Apropriada, que dota a embalagem de inteligência apenas enquanto esta é necessária. Quando a sua função termina, a tecnologia desaparece sem impacto ambiental. Esta abordagem enfrenta simultaneamente ambos os desafios: reduz o desperdício alimentar através de melhor monitorização e elimina resíduos eletrónicos e plásticos associados às soluções convencionais.

 

Da inovação ao impacto

No MARL, de que dependem diariamente cerca de três milhões de pessoas para o acesso a produtos frescos, as tecnologias verdes da AlmaScience oferecem algo cada vez mais raro: soluções que aumentam a eficiência, reduzem custos e protegem o ambiente ao mesmo tempo.

O RFID sem chip assegura rastreabilidade total sem resíduos eletrónicos. O PetriTag® permite monitorização da segurança alimentar em tempo real sem necessidade de recorrer a um laboratório. Em conjunto, representam um novo paradigma para os mercados grossistas, onde sofisticação tecnológica e responsabilidade ambiental deixam de ser prioridades concorrentes para se tornarem forças complementares.

Num setor onde cada hora conta e cada produto importa, estas inovações demonstram que sustentabilidade e desempenho não são incompatíveis – são inseparáveis. A dança frenética das operações diárias do MARL pode tornar-se não apenas mais rápida e segura, mas também mais limpa e mais verde.

À medida que Portugal se afirma na linha da frente da inovação sustentável, os mercados grossistas que alimentam o país tornam-se campos de teste para soluções capazes de transformar a distribuição alimentar em toda a Europa e além.

 

Sobre o MARL

O Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL) foi criado no âmbito da rede nacional de mercados abastecedores, gerida pela SIMAB desde 1993. Atualmente, o MARL é o maior mercado grossista do país, ligando produtores, comerciantes e retalhistas e assegurando a segurança alimentar da área metropolitana de Lisboa. Saiba mais sobre a história do MAR e iniciativas de sustentabilidade aqui.

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