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CoLABs reforçam papel estratégico na inovação e na coesão territorial como importantes agentes de mudança
Sete anos após a sua criação, os Laboratórios Colaborativos (CoLABs) consolidam-se como peça-chave para a transformação do tecido económico e social em Portugal, com forte potencial de impacto a nível europeu.
No seguimento do evento “7 anos de CoLABs – impactos e perspectivas”, realizado no passado dia 30 de junho, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, o Fórum dos Laboratórios Colaborativos (FCoLABs) destaca o relevante papel dos CoLABs enquanto plataformas de ligação eficaz entre ciência, empresas e sociedade.
Perante uma plateia que reuniu cerca de 200 representantes de CoLABs e contou com a presença de membros do Governo, empresas, academia e sociedade civil, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, sublinhou, durante a sessão de abertura, o papel dos CoLABs como “peça fundamental para a mudança de paradigma no país: do made in para o create in”. Acrescentou também que o esperado é “que a ciência criada em Portugal gere inovação. Mais do que tecnologia, a inovação é a resposta para os problemas da sociedade. Vocês são o agente de mudança”, afirmou.
No encerramento do evento, João Rui Ferreira, Secretário de Estado da Economia, reforçou também a importância estratégica dos CoLABs para a competitividade e coesão económica, referindo que “os CoLABs nasceram no seio da ciência, mas é incontestável o seu papel na economia. São agentes de transformação que contribuem para produtos de elevado valor acrescentado e processos mais competitivos, com impacto direto nas regiões onde se inserem”.
A este propósito, André Matos, Presidente do FCoLAB, destaca os CoLAB como parte integrante do movimento para acelerar a mudança tecnológica, afirmando que “no atual contexto europeu marcado pela vulnerabilidade social, geopolítica e ambiental, os CoLABs surgem como catalisadores de soluções inovadoras, promovendo uma economia baseada em conhecimento especializado, valorizando talento nacional e contribuindo ativamente para a criação de valor económico, social e territorial”. Completa, reiterando, que “a aposta nos CoLABs é uma aposta na Europa do futuro: mais competitiva, resiliente, coesa e sustentável”.
Nos debates realizados durante o evento, com participação de representantes de empresas e entidades associadas dos CoLABs, entre as quais Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, dstgroup, Sonae, Celoplás, entre outras, foi realçado o valor acrescentado da parceria de inovação colaborativa que se traduz num maior alinhamento entre estratégia empresarial e inovação, capacidade de resposta célere e eficaz, e custos reduzidos face ao impacto gerado. Ainda sobre este impacto, Pedro Dominguinhos, Presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR elogiou a atuação dos CoLAB frisando que “aquilo que os CoLAB estão a fazer é muito mais do que aqui foi mostrado.”
Outro ponto relevante debatido no evento foi a necessidade de assegurar um financiamento base previsível e estável que cubra as atividades não diretamente rendíveis realizadas pelos CoLABs (tendencialmente um terço do total da sua atividade). Foi referido pelo Fórum dos CoLABs que o investimento nesta rede gera um retorno de 2,7x do valor do financiamento base só em financiamento competitivo de fontes europeias.
O evento contou ainda com a participação, via vídeo, de Manuel Heitor, autor principal do relatório “Align, Act, Accelerate” da Comissão Europeia, que reforçou a importância de consolidar os CoLABs como parte de cadeias de valor europeias, afirmando que “com a flexibilidade que têm, os CoLABs devem estabelecer parcerias estratégicas a nível europeu, orientadas para produtos e sistemas de elevado valor acrescentado”.
Uma das principais mensagens finais centrou-se na importância da inovação para a Europa, na atual conjuntura de vulnerabilidade, e no papel determinante que os CoLABs podem ter na aceleração tecnológica, num contexto em que abunda o conhecimento científico e tecnológico, passível de ser transferido e valorizado para e com as empresas. Pela intervenção direta que têm nos territórios onde operam, destacando-se a criação de emprego qualificado fora dos grandes centros urbanos, contribuem também para a coesão e a criação de valor social, cada vez mais caraterizado pelo multiculturalismo e a polarização política e cultural.
O Fórum dos Laboratórios Colaborativos (FCoLAB), uma plataforma agregadora dos 41 CoLAB nacionais com resultados que falam por si
Com 41 CoLABs reconhecidos a nível nacional, a rede mobiliza atualmente mais de 1300 empregos altamente qualificados, em articulação com 295 entidades parceiras – das quais 59% são empresas. Em 2023, os CoLABs geraram mais de 19 milhões de euros em receita fiscal e participaram em 260 projetos de inovação, 78 dos quais em programas europeus. O impacto traduz-se ainda em 33 pedidos de patente, 10 já concedidas, centenas de publicações científicas e novas empresas criadas. Cerca de um terço dos CoLABs está sediado no interior do país, assumindo um papel ativo na coesão territorial e no combate à desertificação demográfica. Estes foram alguns dos dados partilhados por Tatiana Costa, membro da Direção do FCoLAB, que apresentou um balanço destes 7 anos de CoLABs.
Refira-se que os CoLABs foram criados com o objetivo de promover a colaboração entre ciência, indústria e sociedade, permitindo a criação de emprego qualificado, a valorização do conhecimento científico e criação de valor económico e social com ênfase na geração de conhecimento proprietário e especializado, orientado para facilitar o acesso de empresas aos mercados globais através de exportações, apoiar a atração de investimento estrangeiro em áreas de grande intensidade tecnológica contribuindo para a estruturação de cadeias de fornecimento nacionais, tendo por base um portfólio de produtos ou sistemas de maior valor acrescentado.

